- Ricardo Buzzo
- 22 de março de 2023, às 15:05
O governo estuda a criação de uma alíquota extra para microempreendedores individuais (MEIs) que ultrapassarem o limite anual de faturamento sem que precisem ser desenquadrados da categoria. A proposta surge como uma alternativa para tornar a transição entre regimes tributários mais gradual e menos impactante para pequenos empreendedores.
Atualmente, o MEI que excede o teto permitido precisa migrar para outra categoria empresarial, o que pode significar um aumento significativo na carga tributária. A medida em estudo busca evitar esse impacto imediato, permitindo que o MEI pague um valor adicional ao invés de ser automaticamente desenquadrado. Mas o que muda, na prática, para quem já atua como microempreendedor?
O MEI foi criado para formalizar pequenos empreendedores, oferecendo um modelo de tributação simplificado e com custos reduzidos. Atualmente, os MEIs pagam um valor fixo mensal por meio do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS), que inclui impostos como o INSS, ICMS e ISS, variando conforme o setor de atuação.
O faturamento anual permitido para um MEI está limitado a R$ 81 mil. Se o empreendedor ultrapassar esse valor em até 20%, há a opção de pagar o DAS complementar. No entanto, caso o faturamento seja ainda maior, o MEI precisa migrar para a categoria de Microempresa (ME), estando sujeito à tributação do Simples Nacional e outras obrigações fiscais.
O governo estuda uma forma de permitir que o MEI continue na categoria mesmo ao ultrapassar o limite atual, desde que pague uma taxa adicional proporcional ao valor excedente. Essa alíquota extra funcionaria como um regime intermediário, reduzindo o impacto da transição para a microempresa.
Embora os detalhes ainda não tenham sido definidos, espera-se que a alíquota extra seja aplicada progressivamente, ou seja, quanto maior o faturamento acima do limite, maior a porcentagem cobrada. Isso evitaria um salto tributário abrupto e incentivaria a formalização de mais empreendedores.
Se implementada, a nova regra pode trazer tanto benefícios quanto desafios para os MEIs. O principal ponto positivo é a possibilidade de continuar no regime MEI mesmo com faturamento maior, sem necessidade de abrir uma microempresa e assumir mais custos com contabilidade e tributos.
Por outro lado, o pagamento de uma alíquota extra pode aumentar os encargos do pequeno empreendedor, reduzindo sua margem de lucro. Para muitos MEIs...